
Dinâmica



As oficinas deste ano serão voltadas para a análise do que vem sendo chamado de fake news, que em português significa notícia falsa. Embora informações inventadas não sejam uma novidade da nossa época, a noção de que os meios de comunicação podem repercutir conteúdos falsos, seguindo orientações de interesses escusos, se tornou um dos temas da década de 2010, sobretudo pela maior utilização das redes sociais. As fake news vêm atreladas à pós-verdade, termo elevado à condição de palavra pelo prestigiado dicionário Oxford, em 2016. Identificado como adjetivo, pós-verdade foi definido como aquilo “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos são menos influentes para configurar a opinião pública que apelos à emoção ou a crenças individuais”.
Pesquisa realizada pela UNICEF1 em 2013 mostra que o jovem utiliza as redes sociais mais que qualquer outra plataforma quando acessa a internet, além de utilizá-las especialmente para informação. Outro dado importante da pesquisa revela que quanto mais velho for o adolescente, maior é a utilização da internet como fonte de informações. Pesquisa divulgada pela rede CNN2 indica, além disso, que os adolescentes costumam acessar as redes sociais mais de cem vezes por dia.
Esses dois cenários, o das fake news e o do uso da internet pelo estudante de Ensino Médio, são indissociáveis, portanto.
Como orientar, então, o jovem para que ele, sem o arcabouço dos profissionais de comunicação, consiga lidar com as fake news e não se tornar um agente propagador desse tipo de conteúdo? Com as oficinas do SOS, espera-se munir o estudante das escolas parceiras com elementos para que ele seja um ator mais consciente no uso das redes sociais, no que diz respeito à compreensão e análise crítica daquilo que ele recebe como mensagem e naquilo que toca diretamente às suas ações como distribuidor de informações falsas, cujas consequências podem ser danosas.
O SOS Imprensa trabalha com o plano de aula do Instituto Poynter (instituição americana, sem fins lucrativos, voltada para o ensino do jornalismo), desenvolvido para auxiliar estudantes do Ensino Médio na verificação da veracidade do conteúdo de mensagens que circulam na internet.
O plano de aula está disponível no endereço http://factcheckingday.com, e traz desde os objetivos até a metodologia a ser aplicada.
Elaborado para possibilitar uma abordagem e um treinamento rápido sobre a checagem de informações, o plano requer pouco tempo de realização, mas é eficaz no que se propõe, sendo necessários apenas dois horários de aula para cumpri-lo, o que o torna ainda mais viável sua efetivação em turmas de Ensino Médio.
A Aula é composta por oficinas, com temas que variam a cada ano, e um ciclo de debates com profissionais da área da Comunicação, convidados parceiros que se alternam conforme os assuntos selecionados.
Assim, ganha quem vai até as escolas (nossos estudantes) e ganha quem já está lá, cada um agregando ao seu universo o espaço em que o outro vive e se constrói como indivíduo, levando também um conhecimento que será exigido para sempre: como se relacionar de forma mais consciente com os meios, dos quais somos, inclusive, dependentes.


